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domingo, 28 de setembro de 2008

Diálogos em cena



Olá amigos e amigas;

O Sendú está trazendo mais um novo projeto, o DIÁLOGOS EM CENA.
Este projeto conta com a projeção de um filme e logo em seguida um debate sobre o tema com a participação de algum convidado.

Nesta primeira edição, o projeto contará com a participação do Filósofo e Professor da UFPA, Dr. Ernani Chaves, com o tema 'As Relações entre Psicanálise e Cinema' atraves do filme "A Bela da Tarde". Este projeto acontecerá nas primeiras quartas feira de cada mês.
Contamos com a presença de todos...

Acontece dia 01/10 as 19h
Unama - Alcindo Cacela - Auditório D200

Inscrições:

Valor: R$:15 Estudante e R$:30 Profissional

Email:sendu.ipa@gmail.com
Fone/fax: 3222 0038 / 8224 0623
Posto: Unama - Alcindo Cacela - Bloco F

VAGAS LIMITADAS

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

ATENDIMENTO PSICOLÓGICO




ATENDIMENTO PSICOLÓGICO
Raquel Gomes da Silva
crp/10: 02864
ESPECIALISTA EM TEORIA PSICANALÍTICA
Tel: 3366-6666/88540444
Aceito Convênio: ASFEPA - FASSINCRA - SAÚDE BRADESCO - GOLDEN CROSS - BANCO CENTRAL

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"O que não tem remédio nem nunca terá"



Freud explica...

“O que não tem remédio nem nunca terá”

Hoje em dia, dispomos de uma infinidade de soluções para muitas de nossas dores. Há sempre uma especialidade, um remédio, um tratamento. Mas o que fazemos quando se trata da dor que castiga a mente? Aquela que é tão forte, tão intensa que acaba doendo no próprio corpo? Muitas vezes, tentamos ignorá-la. Só damos real importância ao sofrimento psíquico quando ele se torna físico.
Depois de passar por muitas consultas, com médicos das mais diversas especialidades, e de se submeter a vários exames, sem nenhuma melhora, alguns finalmente se dão conta de que a dor que persiste é apenas um aviso, um alerta: a verdadeira origem da dor pertence a conflitos psíquicos e o profissional a ser procurado é outro.
É importante delimitarmos o que é domínio da medicina e o que não é. Com a quantidade de laboratórios desenvolvendo um número cada vez maior de remédios para cada parte do nosso corpo e oferecendo cura instantânea é mais tentador corrermos a um médico do que procurarmos um analista. Nem sempre a medicina dará conta de tudo, e aquela busca que parecia levar à solução imediata acaba se transformando em frustração.
Em alguns momentos, sabemos que a dor vivenciada pertence a algo que vai além do orgânico, mas preferimos não acreditar. Então tomamos remédios e a dor não passa; continuamos com aquela angústia, com aquela inquietação que não conseguimos definir. A dor é da alma, tem a ver com a nossa história de vida e com os conflitos que estamos passando e que não conseguimos enfrentar. É então que o corpo fala, dolorosamente.
Aquilo com o que o sujeito não consegue lidar, portanto, precisa ser conversado com um profissional – no caso, o psicanalista - que possui técnicas e conhecimentos específicos para conduzir o dono da dor pelo caminho seguro da cura. Devemos considerar que mente e corpo caminham juntos. Quando estamos doentes podemos ficar desanimados e muitas vezes até deprimidos. A dor física mexe com o nosso psiquismo. O contrário também acontece. O sofrimento mental se reflete em nosso corpo. A solução é perceber que essa dor pertence a outra ordem e que não é o médico que deverá enfrentar e sim o próprio sujeito. Se a medicina não está dando certo, é hora de deixarmos nossos preconceitos de lado e buscarmos a ajuda de um analista. No início você falará sobre suas dores físicas, mas quando você se der conta você estará falando dos seus conflitos internos que teimam em se esconder. De repente, percebemos que a dor foi embora, mas passamos a sentir a necessidade de voltar para aquele consultório, passar os 50 minutos preciosos falando, ou mesmo, em silêncio. É aí que vemos que aquela dor física era um sintoma que comparecia no corpo, mas que pertencia ao inconsciente, e é nesse momento que o analista se torna necessário.
Basta então refletirmos para perceber que, às vezes, somos tomados por uma força maior, mas por causa da roda-viva e do individualismo achamos melhor “esconder a sujeira em baixo do tapete”. Não há como medicar o que não tem remédio. Para diminuir a angústia, a psicanálise nos aponta o caminho da fala, da conversa. O grande psicanalista Lacan nos disse: “A angústia não se resolve, se dissolve em palavras”.

Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim
Psicóloga Psicóloga

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Entrevista com o psicanalista francês Roland Chemama.


Sintomas Contemporâneos
A psicanálise não é um tratamento como tomar um remédio. Ela deve abrir portas, expor outras dimensões da verdade. A tese emerge do livro Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano (CMC Editora, 347 páginas, R$ 45,00), que o francês Roland Chemama esteve autografando na capital gaúcha. Na entrevista a seguir, concedida a Robson de Freitas Pereira, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (Appoa), Chemama comenta o exercício da psicanálise na cena contemporânea. Fala de depressão, fetiche, mercantilização dos desejos e contesta a propalada idéia de morte da psicanálise: - O psicanalista representa ainda a possibilidade de uma outra relação com o mundo.

Cultura - No livro Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano o sr. discute a relação da clínica psicanalítica com a literatura e a história. É possível que a psicanálise possa se servir dessa relação sem perder sua eficácia clínica?

Roland Chemama - Sim. Na medida em que reconhecemos que o inconsciente é uma expressão da linguagem, fica clara a importância de seguir o modelo pelo qual os escritores trabalharam os grandes eixos da linguagem. Antes de me tornar psicanalista, eu tinha um interesse particular pela literatura, que não se caracterizou como algo exterior à minha orientação psicanalítica. Tentarei ser mais preciso: o poeta nos dá realmente a idéia do funcionamento polissêmico da linguagem. Para ele, uma palavra tem freqüentemente sentidos variados. Acostumar-se com isso aproxima o psicanalista do funcionamento do inconsciente. Para entender o que diz o paciente, temos que cuidar da dimensão polissêmica.

Cultura - Houve um tempo, porém, em que havia um preconceito em relação a isso. Ou seja, o psicanalista poderia se interessar pela poesia ou pela literatura, desde que as encarasse como um hobby. O psicanalista teria que ser, antes de mais nada, um técnico.

Chemama - É importante distinguir duas coisas que, para um psicanalista, são bem diferentes: o saber e a verdade. O mundo contemporâneo nos faz acreditar que o mais importante é a acumulação de saberes. Esse acúmulo, no entanto, faz com que o sujeito ignore a questão de seu desejo. Ao mesmo tempo, a questão da verdade se coloca mais na literatura e na filosofia. Não digo que a literatura seja suficiente para dar ao sujeito a resolução de seus problemas, mas permite pensar alguma coisa que não se reduz ao saber positivo, técnico. Precisamente, a psicanálise não busca a eficácia técnica. A psicanálise não é um tratamento semelhante a tomar ou prescrever um medicamento. Ela deve abrir alguma coisa, expor uma dimensão de verdade e não ser o objeto de um saber.

Cultura - O sr. vem ao Brasil no momento em que elegemos um novo presidente. Em suas primeiras declarações, ele afirmou que "a esperança venceu o medo". Isso aponta para uma das grandes questões atuais: a insegurança das pessoas em relação ao que poderíamos situar como uma falta simbólica na organização subjetiva e social. O sr. concorda?

Chemama- A transição se faz de tal modo que desmente a idéia de uma falta na relação com a lei, com o simbólico. Quando o presidente atual diz o que ele diz sobre o novo presidente, ele legitima fortemente a transição, pois sentimos que remete a uma posição estabelecida na própria lei. A segunda coisa que eu poderia responder é que, se realmente podemos reconhecer rupturas fortes do laço social nas atitudes de certas camadas sociais em relação a outras, isso não se constitui, atualmente, em um fenômeno particular do Brasil. A questão é muito mais grave, é um problema para o mundo inteiro. Os homens atualmente crêem que toda a relação pode ser pensada como uma relação com um objeto. Como a técnica permite intervir sobre o corpo humano como se ele fosse um objeto, é o homem mesmo que se torna um objeto. A partir disso, se vê que a condição de uma lei, quer dizer, o exercício de uma regulação simbólica, pode ser problemática em todos os países. O que se torna mais preocupante ainda.

Cultura - Neste sentido, será que não estaríamos estabelecendo uma forma de relação perversa com os objetos ou mesmo nas relações sociais?

Chemama - Acho que sim, pois na realidade não se trata de perversão de pessoas particulares. Não é o homem em particular que é perverso. É o sistema mesmo no qual ele está inserido. De que se trata quando falamos em perversão? De um lado, há principalmente essa relação com o objeto que deve fornecer um gozo, sendo o corpo um destes objetos ao qual se pode aceder facilmente. O importante para um sujeito é ele gozar o mais fácil e rapidamente possível. Mas, na minha concepção, também acho que nesses casos há uma outra coisa em jogo: o sujeito não é só um objeto oferecido ao gozo do outro ou um sujeito que goza do outro. Ele geralmente guarda uma referência à lei simbólica, para jogar com essa lei. É neste sentido que os psicanalistas falam de uma clivagem. Sei que esse conceito não faz parte da linguagem cotidiana, mas há conceitos dos quais os psicanalistas têm que se servir como parte do trabalho psicanalítico. A noção da clivagem vem de Freud. Fala do fetichista, dizendo que o objeto-fetiche pode representar uma perda, a idéia de um falo da mãe, na qual acredita a criança. O fetiche representa isso, mas, ao mesmo tempo, não é exatamente isso. Se o fetichista somente acreditasse que a mulher houvesse tido realmente um falo, seria um delírio. Então, no fetichismo há uma clivagem, uma divisão, duas coisas acontecendo simultaneamente: a recusa da castração da mulher e o reconhecimento da castração.

Cultura - Ainda que a psicanálise modifique a noção de patologia propriamente dita, quais as patologias que o sr. encontra com maior freqüência na clínica contemporaneamente?

Chemama - Poderia continuar falando sobre a perversão, sobre a situação do sujeito em relação aos modos de gozo atuais , sobre modos particulares de gozar como a toxicomania, como o alcoolismo, como a pornografia. Já que não encontra uma satisfação completa nestas situações particulares, ele termina por fazer um recolhimento em si mesmo, deixando de agir. Normalmente, um homem ou uma mulher podem agir a partir de algo que é transmitido pelas gerações anteriores, em particular pela
relação com a geração dos pais. Os psicanalistas notam que, para um sujeito expressar seu desejo, é necessário o reconhecimento de um pai real no desejo da mãe.Se essa dimensão não é possível, uma vez que freqüentemente há uma desvalorização do desejo masculino, como no tema do assédio sexual, isso pode se tornar problemático. Hoje essa percepção de um desejo masculino, com muita freqüência visto como ilegal produz efeitos sérios. Neste sentido, penso que a patologia é principalmente uma patologia depressiva. Mais do que uma patologia de sintomas no sentido clássico, como histeria ou neurose obsessiva, estamos diante da patologia da depressão como uma impossibilidade de agir, de desejar.

Cultura - Quais são as particularidades da depressão hoje?

Chemama - A depressão é uma patologia bem conhecida, não é só uma tristeza. É uma coisa que isola o sujeito, que o impede de contatos sociais. O que dá a identidade ao sujeito é o desejo. Assim, quando ele não deseja, perde sua identidade. Há o que os psicanalistas chamam de despersonalização: o sujeito não se reconhece. O que ele é, o que faz aqui ou lá, ele não sabe. Há pessoas que pegam um transporte, viajam a uma cidade qualquer e depois não sabem o que fazem lá.

Cultura - Aqui no Brasil, à parte haver um interesse geral pela psicanálise ela com freqüência tem sua morte decretada em função de grandes "concorrências", como a psicofarmacologia ( ou neurobiologia) e a religiosidade.

Chemama - Não é a primeira vez que se fala do fim da psicanálise. Realmente, que um problema é a multiplicação excessiva de tratamentos, por exemplo, por medicamentos. O poder da técnica através dos medicamentos ou o poder de discursos que pretendem oferecer um sentido universal cada vez mais se constituem como uma sugestão, um poder estrangeiro ao sujeito. A psicanálise consegue ter um lugar porque o sujeito percebe que os discursos estrangeiros que o comandam não são suficientes. Uma prova disso, embora superficial, mas ainda assim uma prova, é a multiplicação dos filmes cujo personagem principal é um psicanalista, como se o psicanalista, atualmente, na percepção das pessoas, ainda pudesse representar a possibilidade de uma outra relação com o mundo, uma variação do ser, algo diferente. O psicanalista se mantém indispensável.

domingo, 17 de agosto de 2008

Os pais estão mal (Por Jorge Forbes)


Os Pais Estão Mal
Em seu quinto livro, o psicanalista Jorge Forbes afirma que Matrix e a música eletrônica são soluções que a juventude dá para este momento
17/12/2003


Camilo Vannuchi e Carla Gullo

Entusiasta da música eletrônica e fã do filme Matrix, o psicanalista Jorge Forbes, 52 anos, tem motivos para criar polêmica. Aluno de Jacques Lacan nos anos 70 e um dos principais responsáveis por trazer a psicanálise lacaniana ao Brasil, ele se difere em algumas opiniões. Enquanto a maioria de seus colegas considera esta uma geração individualista, Forbes elogia a atitude criativa da moçada e admira sua capacidade de lidar com a passagem da era industrial para o mundo globalizado. Idéias como essas estão reunidas nas crônicas e conferências publicadas em seu novo livro Você quer o que deseja? (Best Seller), cujo título já causa uma certa inquietação.

ISTOÉ – Qual a diferença entre querer e desejar?
Jorge Forbes – Existe uma incompatibilidade entre esses dois verbos que, no consenso, caminham juntos. Mas não é assim. Em geral, o querer está vinculado à necessidade biológica – quero comer, quero dormir – e o desejar está ligado a aspectos de prazer expressos em frases como “mais forte do que eu”. O homem é o único animal que come por apetite e não por necessidade. Escolhe entre ir a um restaurante ou ao cinema. Nossa vida é marcada por decisões que nem sempre têm a ver com necessidade.

ISTOÉ – É difícil escolher?
Jorge Forbes – Sim. Toda vez que se escolhe algo que deseja, há possibilidade de não ser compreendido. Quanto mais alguém quer ser compreendido, mais recorre ao senso comum. Por exemplo: a escolha de passar o réveillon em Copacabana tem mais chance de ser aceita do que a de ir para um lugar que ninguém conhece. Essa é uma forma careta de viver. Uma escolha média leva a uma satisfação média, a uma vida sem sobressaltos.

ISTOÉ – Mas antes o senso comum não era regra?
Jorge Forbes – Estamos entrando na era da globalização e vivemos uma mudança no eixo das identidades. Na era industrial, havia um eixo vertical. Impunham-se padrões de comportamento: o cinema e o teatro que deviam ser vistos, a profissão certa, a idade para casar... Tínhamos uma sociedade referenciada. Na globalização, as pessoas se vêem jogadas ao exercício da singularidade. Isso gera uma época de criatividade superior à outra, mas traz novos problemas como o desenfreamento do consumismo.

ISTOÉ – Você compara essa questão do desejo ao filme Matrix. Por quê?
Jorge Forbes – Matrix é um filme sobre decisão, desejo e opção. Acho que o sucesso de Matrix entre os moços se deve ao fato de estimular uma reflexão sobre a obrigatoriedade de se optar. Este é o grande problema da globalização. Uma vez que existem possibilidades multiplicadas, é preciso optar.

ISTOÉ – A música eletrônica e o Matrix são símbolos da juventude?
Jorge Forbes – São soluções que a juventude dá ao momento atual. Essa juventude se deparou com um mundo despadronizado e o nomeou mundo mix. Quando se quebra o padrão, se quebra também o diálogo como cimento fundamental do laço social, como era considerado pelos iluministas, que tinham o saber como direção principal da experiência humana. Quando duas pessoas falam com parâmetros diferentes, o diálogo é substituído por monólogo. Achava-se que a quebra do diálogo levaria à explosão do vínculo social e à barbárie. Quebramos o padrão e a barbárie não veio. Esperava-se que caíssemos em uma época de promiscuidade sexual e ela não veio.

ISTOÉ – Então o grande problema da juventude não é a tão propalada falta de perspectiva?
Jorge Forbes – Existe uma falta de perspectiva porque nossa geração quebrou os valores. Os moços de hoje têm que inventar seu futuro. Na era da globalização, são obrigados a assumir com responsabilidade o que fazem. Os laços sociais tornam-se mais frágeis no tempo e mais responsáveis na escolha. Essa mudança é um problema para quem gosta da acomodação e é uma vantagem para os que suportam a criatividade. Acho que essa geração está bem. Quem está mal são os pais.

ISTOÉ – Por quê? Os pais não se sentiram sempre desconfortáveis no mundo dominado pelos filhos?
Jorge Forbes – Acho que não. Na era anterior, os jovens se rebelavam contra os pais, mas criavam um mundo à imagem e semelhança do anterior. O adolescente de hoje não é um rebelde, mas um mutante. Ele sabe lidar com o mundo não-cartesiano. A nova geração não responde à ética do dever como nós, mas à ética do desejo. Entre o jovem de 2003 e o jovem de 1968 há uma diferença fundamental. Mudaram a ética, os laços sociais, houve uma proliferação das possibilidades, uma maior exigência da escolha.

ISTOÉ – E como serão os adolescentes nesta configuração de mundo?
Jorge Forbes – Estou quase apostando que a adolescência, tal qual a conhecemos, não haverá mais.

ISTOÉ – O que virá, então?
Jorge Forbes – Chamamos de adolescência uma fase entre a infância e a idade adulta. É uma época na qual a pessoa teria que, progressivamente, adaptar sua forma de trabalhar e de se satisfazer, em consonância com o mundo dito adulto. Essa divisão fica relativizada às particularidades de cada um, pois, se não há mais padrão, não há como manter válidas categorias como rebeldia. Só existe rebeldia se houver um padrão fixo. O exemplo da Suzane von Richthofen (a menina que planejou o assassinato dos pais, no ano passado) mostra como nossas categorias estão ultrapassadas.

ISTOÉ – Por quê?
Jorge Forbes – A violência social é nossa velha conhecida. O que nos falta são categorias para lermos suzanes, para lermos o estudante que põe fogo na sua escola para ver uma fogueira de São João, ou põe fogo no índio. Precisamos criar novas categorias para entender esse tipo de violência, que não respeita classe social.

ISTOÉ – Além desta nova violência, quais outros sintomas esta nova formação da sociedade traz?
Jorge Forbes – Um exemplo são as novas histéricas. Nós aprendemos a amar a velha histérica. Ela era legal, tinha seu charme. Contestava qualquer ordem estabelecida. Se você chegasse e dissesse a ela “eu te amo”, ela virava a cara e reclamava “só porque eu sou bonita”. A nova histérica é completamente desregulada do sentido da ordem e mais violenta. Ela é como Medéia, que matou os próprios filhos para demonstrar sua raiva por Jasão. A nova histérica busca obter o que deseja sem dó. Suzane assassinou os pais e fez um churrasco no dia seguinte não por ser uma psicótica nem uma psicopata. O psicótico não reconhece o que faz e o psicopata reconhece, mas não dá importância. Acho que Suzane não é nem uma coisa nem outra. É o exemplo atual de uma nova forma de ser, que deseja sem querer, que age por desejo, de maneira inconsequente.

ISTOÉ – A sociedade percebeu onde leva o caminho do não-limite. Isso não é uma vantagem para os pais recentes?
Jorge Forbes – Sem dúvida. Meus filhos, de 14 e 21 anos, fizeram parte dessa geração mutante. Agora, as crianças mais novas já vivem uma fase um pouco mais confortável, para a qual a vanguarda não é novidade. Nossa geração foi muito marcada pela regra de que os pais deveriam falar tudo aos filhos e estes só deveriam cumprir obrigações se as entendessem. Mas muita coisa que queremos de nossos filhos não será compreendida por eles. Os pais precisam aprender a ser arbitrários. Não dá mais para fazer sermões ou discursos.

ISTOÉ – Essa nova atitude existe em toda a sociedade?
Jorge Forbes – Em toda ela. Minha proposta é “não se justifique, não se explique”. Vale para a relação pai e filho, professor e aluno, chefe e subordinado. Não adianta querer explicar. Escrevi uma carta ao Lula, publicada no livro, em que digo isso a ele. “Você está fadado a ser incompreendido. Pára de se justificar porque não vai dar certo.” A nova liderança deve aprender a lidar com isso.

ISTOÉ – Mas não é complicado dizer a um presidente eleito que ele não deve explicações a seus eleitores?
Jorge Forbes – Ele não vai saciar jamais o pedido de explicação. Freud dizia para não tentarmos acalmar a fome do superego porque o superego é insaciável. Essa instância cobradora de posições chama-se superego. Quanto mais tentarmos nos adequar a ele, mais ele vai dizer que ainda não é suficiente: “Lula, você se desculpou aos idosos, mas você devia ter ido lá para a fila. Aliás, devia ter ficado na fila. Mais do que isso, você devia ser um idoso. Aliás, você devia ter morrido na fila.”

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

“ Eu me desenvolvo e evoluo com o meu pai”







No mês de agosto não poderíamos falar em outro assunto que não fosse o dia dos pais. Sabemos o quanto esta data é marcada comercialmente, no entanto, também é um momento onde as pessoas podem homenagear seus pais, com demonstrações de carinho e afeto.

Nos orientamos a partir de posições a serem ocupadas: ser filho, ser irmão, ser mãe, ser pai, enfim, atribuímos uma identidade para nos relacionarmos socialmente. A busca é a da construção de uma família, não interessando como ela será formada, já que a família é a instituição anterior a qualquer sociedade. Podemos dizer então que o que acontece com a família se reflete no social, e vice-versa.

Com a revolução industrial, houve maior necessidade da participação da mulher no mercado de trabalho, e isto trouxe diversas conseqüências dentro da família. A mãe era responsável pelos cuidados e educação dos filhos e o pai, o provedor, quem sustentava financeiramente a família. Mas como ficaram os papéis dentro da família? Quem é pai e quem é mãe?

É sabido por todos qual a função da mãe, a de gerar um filho, cuidar, transmitir afeto, suprir todas as suas necessidades físicas e mentais, pois no momento em que nasce uma criança, a vida da mãe fica fundida com a do seu filho, há uma relação única. Mas então,qual seria a função do pai? O pai é aquele que representa a lei maior, é quem nos oferece a chance de seguir com a vida, de lidar com as frustrações e assim, evoluir. Quando dizemos função, é para deixar claro que o exercício da mesma, não é necessariamente feito pelo pai biológico, mas sim aquele ou mesmo aquela que possibilitam que a criança possa, aos poucos separar-se dessa relação exclusiva com a mãe, e conhecer um novo mundo, que possui normas, regras e leis que estarão impostas durante toda a sua vida.

O pai estaria atuando nessa relação intensa e necessária entre mãe e filho, retirando aos poucos o investimento total que é direcionado ao filho, e voltar-se a um terceiro (que pode ser ele mesmo). O bebê fica com fome e ao chorar a mãe o alimenta, fica com sono e a mãe o faz dormir, portanto, o que predomina nesse momento é a onipotência infantil, onde a criança não é submetida a nenhum limite. Mas, se o pai não entra nessa relação, como esse ser que tem suas necessidades todas atendidas irá conseguir se formar como alguém independente? É aí que a função paterna entra, pois o corte inicial estabelece um primeiro não, a esse “serzinho” que acha que pode tudo, passa a entender que para se socializar terá que aprender a respeitas as regras.

O que queremos dizer com tudo isso, é que vemos as famílias hoje não mais como antigamente, uma família “completa’ e quem acaba sofrendo as conseqüências são os filhos. tais comportamentos podem trazer dificuldades, pois os mesmo perdem a oportunidade de desfrutar dos ensinamentos paternos, o que pode causar prejuízos em seus relacionamentos futuros; em lidar com a vida e com os limites. Portanto, cada atitude e gesto realizado por quem exerce a função paterna, fazem-se necessários para a formação de uma criança.

Mas simplesmente se dizer pai, não é o suficiente, nem pelo verdadeiro pai, e nem pelo que se diz cumprir tal papel. Ser pai é muito além de ser um pai jurídico ou um pai biológico, tem que ser pai de coração, emoção, dedicação e doação.


Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim



der que para se socializar termesmo). aos poucos separar-se dessa relaç