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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"O que não tem remédio nem nunca terá"



Freud explica...

“O que não tem remédio nem nunca terá”

Hoje em dia, dispomos de uma infinidade de soluções para muitas de nossas dores. Há sempre uma especialidade, um remédio, um tratamento. Mas o que fazemos quando se trata da dor que castiga a mente? Aquela que é tão forte, tão intensa que acaba doendo no próprio corpo? Muitas vezes, tentamos ignorá-la. Só damos real importância ao sofrimento psíquico quando ele se torna físico.
Depois de passar por muitas consultas, com médicos das mais diversas especialidades, e de se submeter a vários exames, sem nenhuma melhora, alguns finalmente se dão conta de que a dor que persiste é apenas um aviso, um alerta: a verdadeira origem da dor pertence a conflitos psíquicos e o profissional a ser procurado é outro.
É importante delimitarmos o que é domínio da medicina e o que não é. Com a quantidade de laboratórios desenvolvendo um número cada vez maior de remédios para cada parte do nosso corpo e oferecendo cura instantânea é mais tentador corrermos a um médico do que procurarmos um analista. Nem sempre a medicina dará conta de tudo, e aquela busca que parecia levar à solução imediata acaba se transformando em frustração.
Em alguns momentos, sabemos que a dor vivenciada pertence a algo que vai além do orgânico, mas preferimos não acreditar. Então tomamos remédios e a dor não passa; continuamos com aquela angústia, com aquela inquietação que não conseguimos definir. A dor é da alma, tem a ver com a nossa história de vida e com os conflitos que estamos passando e que não conseguimos enfrentar. É então que o corpo fala, dolorosamente.
Aquilo com o que o sujeito não consegue lidar, portanto, precisa ser conversado com um profissional – no caso, o psicanalista - que possui técnicas e conhecimentos específicos para conduzir o dono da dor pelo caminho seguro da cura. Devemos considerar que mente e corpo caminham juntos. Quando estamos doentes podemos ficar desanimados e muitas vezes até deprimidos. A dor física mexe com o nosso psiquismo. O contrário também acontece. O sofrimento mental se reflete em nosso corpo. A solução é perceber que essa dor pertence a outra ordem e que não é o médico que deverá enfrentar e sim o próprio sujeito. Se a medicina não está dando certo, é hora de deixarmos nossos preconceitos de lado e buscarmos a ajuda de um analista. No início você falará sobre suas dores físicas, mas quando você se der conta você estará falando dos seus conflitos internos que teimam em se esconder. De repente, percebemos que a dor foi embora, mas passamos a sentir a necessidade de voltar para aquele consultório, passar os 50 minutos preciosos falando, ou mesmo, em silêncio. É aí que vemos que aquela dor física era um sintoma que comparecia no corpo, mas que pertencia ao inconsciente, e é nesse momento que o analista se torna necessário.
Basta então refletirmos para perceber que, às vezes, somos tomados por uma força maior, mas por causa da roda-viva e do individualismo achamos melhor “esconder a sujeira em baixo do tapete”. Não há como medicar o que não tem remédio. Para diminuir a angústia, a psicanálise nos aponta o caminho da fala, da conversa. O grande psicanalista Lacan nos disse: “A angústia não se resolve, se dissolve em palavras”.

Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim
Psicóloga Psicóloga

Um comentário:

Roberto disse...

Concordo com tudo o que foi escrito no texto. Muito bem escrito! Continuo torcendo para o sucesso de vocês duas (que já começou a aparecer).

Beijos

Roberto Gomes