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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O poder da união


O segundo domingo de outubro tem uma significação muito especial para o povo paraense, data que se comemora o Círio de Nazaré. Círio é fé, é família, amor, festa, confraternização...um dia em que Belém fervilha e todos dividem aquele momento de oração, entre pedidos e agradecimentos. Mesmo quem não acredita em milagres, não fica indiferente, acaba sendo envolvido pela energia contagiante que passa dentro e fora da procissão. Tudo é beleza e força na maior festa dos paraenses.
Mas o que a psicanálise tem a ver com isso?
Tudo! Freud partiu da psicologia individual para chegar aos muitos caminhos que a pessoa busca para encontrar satisfação nas suas exigências sociais. Já nos falava de mobilização em massa e do quanto as atitudes sociais podem influenciar um sujeito.
Portanto, existe sim uma força psíquica maior que aglutina as pessoas em torno de um mesmo objetivo- ou objetivos diferentes. O Círio tem a capacidade de reunir pessoas entre si, mas, ao mesmo tempo fortalecidas pela semelhança na crença.
Uma pessoa em grupo pode ter mais força para enfrentar certas adversidades da vida do que se estivesse sozinha. A corda do Cirio é um exemplo. Sob o sol quente, em risco de ser pisoteado pela multidão, o promesseiro persiste, fiel e agarrado a corda até o final da procissão, superando suas limitações físicas e psíquicas.
Quando há um referencial a se seguir, quando os sujeitos encontram em outro ou em um ideal algo comum, com o qual se identificam, os sentimentos de cada um se tornam mais intensos.
Uma festa como o Círio, que envolve milhares de fiéis rogando ao mesmo tempo por algo melhor, a força positiva se multiplica na vida de cada um. Nesse sentido, a identificação é fundamental para que o grupo se exerça como tal: as pessoas incorporam o ideal buscado por ele como sendo o seu. Normalmente, existe a figura do líder, aquele que dita normas, regras, estratégias, as quais passam a pertencer a todos os membros do grupo. Assim, os organizadores exercem papel fundamental nesse processo, pois colocam-se adiante de todas as vias que levam a este grande acontecimento, o qual ocorre de forma aparentemente espontânea, mas que conta com um trabalho extensivo, manifestando-se nas pequenas e grandes faces deste encontro de dimensões magníficas.
Estar em grupo implica em ato de amar, de preservar o que se ama, pressupõe deixar que os atos egoístas deem lugar aos atos altruístas; o indivíduo deixa de ser um para ser vários.
O círio continua sendo um movimento grupal que emociona imensamente. Às vezes, nos faz falar. Às vezes, nos cala.
Raquel Gomes da Silva e Roberta Santos Gondim

3 comentários:

duda disse...

parabéns!!!
ta cada vez melhor, sou só orgulho !!!
bjsss
duda

David Carneiro disse...

Olá meninas,

Vi o link do blog de vocês e achei mt interessante a proposta. Vocês são de Belém? Um grande abraço!

rg.psicanalise disse...

olá David, que bom que você entrou no nosso e blog e principalmente que você gostou do conteúdo. Talvez você não tenha visto as páginas iniciais, mas alguns destes textos foram elaborados por mim e pela Roberta, e são publicados 1 vez ao mês no caderno D do jornal Diário do Pará.
Respondendo a sua pergunta, somo sim daqui de belém.