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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

“Por que a psicanálise?” (Elizabeth Roudinesco)


Hoje, lendo este livro da Psicanalista Roudinesco, mais uma vez me dei conta do que constantemente esbarramos no fazer psicanalítico: o constante e desenfreado uso de psicotrópicos. Lembrei da história de um conhecido que, sentindo-se angustiado, foi orientado a procurar um tratamento. Sem ao menos saber que psicólogos ou analistas não prescrevem medicação, saiu indignado do consultório, pois a incompetente analista não foi capaz de ajudar e lhe passar um remedinho. “Ela ao menos poderia ter indicado um psiquiatra. Hoje em dia ninguém tem tempo!!”. Não há tempo para sofrer, para falar de angustia; o tempo que se tem é para ganhar dinheiro, ganhar o mundo. O grande problema é que o sofrimento psíquico não tem tempo pra chegar e nem para sumir! E quando aparece, desestrutura, desestabiliza.
Que a depressão é a doença do século não é novidade! A maioria conhece seus sintomas, muitos dizem já ter vivenciado, mas poucos tem interesse em descobrir sua origem. Pra que cutucar a ferida se eu posso engolir alguns comprimidos e seguir adiante? As dores da alma, muitas vezes, são sentidas no corpo e é no corpo que as pessoas acreditam que devem ser tratadas com overdoses de medicamentos. Não quero desmerecer a eficácia dos psicotrópicos, são ferramentas que colaboram e algumas vezes são indispensáveis para o sucesso de tratamentos. Mas não há quem possa dizer que são suficientes!
A psicanálise vem sendo severamente atacada com críticos que afirmam sua ineficácia e justificam qualquer sintoma e comportamento humano através de mecanismos puramente químicos e genéticos. Mas se ela está perdendo lugar, também é porque os próprios pacientes preferem acreditar que seus sintomas tem origem orgânica e rejeitam indícios de relação com a sua história, com a sua constituição. Como diz Roudinesco: “ Em lugar das paixões, a calmaria, em lugar do desejo, a ausência de desejo, em lugar do sujeito, o nada, e em lugar da história, o fim da história.”
Não posso ser injusta nem radical! Ainda existem psiquiatras e pesquisadores de outras áreas que valorizam a importância de um processo analítico. Quem se permite conhecer, sem preconceito ou narcisismo enceguerante, sabe do seu papel científico, social, e, sobretudo, subjetivo. É pra isso que estamos aqui!

Roberta Gondim.

3 comentários:

Alan Lima disse...

Acompanho tua leitura do livro da Roudinesco. Veio-me à mente quando do fim do livro o que Lacan vaticinava sobre a psicanálise: ela é um sintoma. Nos perguntamos se um dia o mundo conseguirá extirpá-lo. Encontrei na obra da Roudinesco (não apenas neste livro em questão) uma referência que eu somo a minha inclinação "anti-progressista". Não consigo pensar em um "progresso" após conhecer Freud, Nietzsche, dentre outros. A modernidade é uma proposta terrivelmente maciça a nos esmagar, à golpes de substâncias químicas e gadgers. Ainda que estes tenham a sua serventia, esta dependerá do propósito empregado. O que se assiste é uma banalização do corpo, parelha ao apagamento do sujeito. A psicanálise faz frente. Deve fazer. Mas caso venha a se incorporar a este projeto massificante, terá fracassado. E poderemos queimar Freud, não em praça pública, pois ninguém mais irá se importar, mas em um beco qualquer, de um bairro qualquer.
Excelente blog! Parabéns!

altruista@1976 disse...

OLÁ BOA TARDE GOSTARIA DE DIZER QUE GOSTO MUITO DESTE CAMPO E PRETENDO ESTUDAR MUITO SUAS MATERIAS HOJE NO BRASIL EXISTE ALGUM TIPO DE PARAMETRO DE BOAS ESCOLAS CONCEITUADAS ENTRE PROFISSIONAIS DE PSICANALISE p.s.i???
GOSTARIA QUE ABORDASTE ESTE ASSUNTO ..

pastor disse...

Muito engraçado, pois como psicanalista Clínico, tenho achado algumas coisas que faz me ri muito.
se voçe observar, existe hoje uma gama de pessoas querendo o descredito da psicanalise, pois querem cada dia mais, aumentar a procura por PSICOLOGOS, pois e mais facil, e mais conhecido. Mas quando se tem conhecimento da eficacia da psicanalise, ai dão credito;Pois já começa a fazer efeito, o seu inconsiente.Só Freud pode explicar.