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domingo, 24 de janeiro de 2010

A impetuosa superação humana


ARTIGO JANEIRO-10

Em meio a tantas catástrofes e destruições, nos perguntamos o que está acontecendo? Muitos parecem não entender, outros se sentem culpados e, de certa forma, confundem-se em relação a tudo que está acontecendo. Obviamente, a situação tomou proporções gigantescas, diríamos, desesperadora. Mas desde quando o ser humano destrói, se autodestrói ou luta pela sobrevivência? Desde sempre! Para fazer um paralelo com a psicanálise, é preciso pensar em conceitos fundamentais para sua teoria. Pulsão de vida e Pulsão de morte. Não nos cabe aqui ficar teorizando e trazendo explicações minuciosas, mas é impossível não enxergar tantas manifestações do que realmente somos no meio disso tudo.
Freud foi categórico ao dizer que há um conflito inerente ao ser humano entre a pulsão de vida e a pulsão de morte. A pulsão de vida tem como seus derivados a criatividade, a amorosidade, o desejo de se desenvolver, enfim, tudo aquilo que possibilita a motivação da energia humana para a busca da autoconservação. Já a pulsão de morte estaria relacionada ao retorno à imobilidade, tendo como representação a destrutividade, a agressividade e tudo aquilo que limitaria o progresso da vida.
Quando vemos tantas desgraças provocadas pelo próprio homem através de atitudes autodestrutivas como o consumo de drogas, pessoas que nos parecem gostar de sofrer ou mesmo através de atos violentos e destrutivos em relação à sociedade e ao ambiente, podemos relacionar a pulsão de morte, que para Freud, em alguma escala, está presente inconscientemente em todos nós, assim como a pulsão de vida, que como já citamos, está relacionada à autoconservação.
E quando somos surpreendidos com tragédias que são conseqüências de eventos da natureza que exterminam milhares de pessoas sem aviso prévio, sem uma explicação coerente? O ano novo nos impulsiona a festas e comemorações, com votos de recomeço e felicidade, mas no início de 2010 vimos muita dor, tristeza e desespero em lugares como Angra dos Reis e principalmente no Haiti.
Nesses casos, o que nos chama atenção e ainda nos traz esperança é constatar a luta pela sobrevivência, o desejo pela vida. Pessoas que depois de passarem dias debaixo de escombros, ainda conseguiram buscar forças para pedir socorro e querer sobreviver, sabendo que seus familiares se foram, que sua cidade e sua vida estão devastadas. Gritantemente, são nessas situações limite que a pulsão de vida comparece, aniquilando com a dor, com a vivência traumática que muitas vezes pode vir a ser inelaborável, pela busca de apenas sobreviver.
Diante de situações como estas, nos reconhecemos vulneráveis e nos deparamos com a realidade, de que tais catástrofes podem acontecer a qualquer um de nós. Tudo isso nos causa angústia, desperta em nós sentimentos de solidariedade, de piedade, de querer ajudar ao próximo, sentimentos que só atestam aquilo que Freud desenvolveu com tanta maestria: todos nós temos uma força que nos impulsiona para a busca da expansão, isto é, o ser humano é eminentemente vida.....pulsão de vida!

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